Orgulho de “Ser Humaninho”

Meu maior orgulho não é porque perdi 20kg. Não é ter o abdômen definido e corpo tonificado. Meu maior orgulho não é ter publicado mais de 40 textos, escrito um livro sobre a verdadeira saúde e ter criado o método Benecer de ampliação da força de vontade para facilitar a realização humana. Não é ter inventado uma profissão que promove saúde de maneira prática que poupa recursos externos e ensina pessoas a utilizar seus recursos internos para conseguir o que querem. Meu maior orgulho não é ter feito o diegobenecer.com.br e disponibilizar grátis O Teste de Saúde Benecer que facilita a realização pessoal através do amor e nem por ter criado e disponibilizado gratuitamente a Matemática Benecer,que prova através de uma conta bem simples que é muito mais prazeroso ingerir os alimentos saudáveis que você aprecia do que aqueles que você sabe que são umas bombas calóricas mas acaba não resistindo por serem saborosos. Meu maior orgulho não é ser um psicólogo respeitado e valorizado por colegas e pessoas que atendo.Não é saber gerenciar meus sentimentos para facilitar minha vida e das pessoas que convivem comigo. Meu maior orgulho não é ter estudado psicologia na Europa com professores referências nacionais e também não é por realizar trabalhos voluntários semanais por mais de 7 anos.

Infelizmente meu maior orgulho é dialogar com grandes pensadores da atualidade, com empresários renomados, políticos e com pessoas que estão em situação de rua. Hoje, por exemplo, indo ao banco me deparei com uma pessoa deitada em um papelão na porta da agência e cinco cachorros grandes ao seu lado. Senti medo dos cães, perguntei a ela se eles mordiam e pedi desculpa por incomodar. Ela prontamente respondeu que não e que eu podia passar tranquilamente. Agradeci, confiei e continuei rumo ao meu destino, ainda com um pouco de receio de ser mordido. Fui pagar minhas contas triste por vê-la naquela situação. Ao sair do banco pedi desculpa por incomodar mais uma vez e lhe perguntei se estava precisando de algo. Ela disse que estava com fome e que ficaria muito grata se eu pudesse dar-lhe algo para comer. Então fui comprar a comida pensando que ainda assim seria doar muito pouco.

Quando retornei com os alimentos pedi para ficar um pouco com ela. Surpresa, parecendo não entender o que acabara de ouvir, ela preferiu confirmar: – o senhor ficar aqui? – Respondi: – sim, se não for lhe atrapalhar. – Ainda não acreditando na minha vontade de permanecer ali, perguntou novamente: – o senhor ficar aqui comigo? Eu sorri e disse: – sim, ficar aqui com você. Foi quando me agachei, comecei a conversar e a conhecer Alexandra, uma pessoa agradável, divertida, que me disse que muita gente pensa que quem está na rua é louco ou drogado mas que ela não era nem uma coisa e nem outra. Como percebi que o nosso papo ia render bastante, vi que ficaria mais confortável sentado ao lado dela no papelão. Mais uma vez o semblante de surpresa que geralmente aparece na face das pessoas quando ganham algo valioso ficou evidente nela, que tornou a perguntar: – o senhor sentar aqui comigo? – Nesse momento eu já esperava tal surpresa, o que não diminuiu meus sentimentos de alegria por ver um ser humano se entusiasmar com a minha aproximação. Respondi todas as perguntas sorrindo para que pudesse afirmar o meu desejo de lhe fazer companhia e deixá-la mais a vontade para acreditar.

Enquanto conversávamos sobre coisas bem interessantes, notei a calma que ela tinha para comer e saborear cada pedaço do alimento doado e a elegância em seus gestos e fiz questão de elogiar. Além disso, nenhum dos cinco cachorros pedia, nem olhava para a comida. Eles se mantinham quietos e deitados. Fiquei intrigado com tal calmaria, sendo que presumi que também estavam famintos. Alexandra me esclareceu: Sim, eles estão com fome e tristes também, porém percebem minha situação e respeitam. Pensei: nossa! Como olhar para aquele “ser humaninho” deitado e não respeitá-lo? Parece que em certos momentos eles são mais verdadeiramente humanos que alguns homens. Mas o que me impressionou ainda mais foi quando ela me fez a pergunta: – você acha que caridade é amor? Respirei fundo – por essa eu não esperava – e respondi que para mim amor é o sentimento mais ações de cuidado. Ela pensou e me disse que de fato havia pessoas que davam por dar, outras somente para parecerem caridosos, algumas porque realmente se sentiam bem e que tinha até indivíduos que davam para humilhar ainda mais. Pergunta forte que motivou uma reflexão ainda mais intensa. Pude aprender o que nenhum grande pensador conseguiu me ensinar. Que lição de humanismo me deram Alexandra e seus amigos!

Meu orgulho numa sociedade onde grande parte se orgulha do ganho de massa muscular, se preocupando com seu umbigo e com o umbigo (abdômen) das pessoas, curtindo e compartilhando, é conseguir dar o real cuidado que o corpo merece e o valor que as pessoas e animais merecem. O meu maior orgulho é me importar verdadeiramente com o próximo, independente de quem seja e de qual posição ocupe. Meu maior sonho é que um dia isso não seja mais um orgulho para mim, que seja somente mais uma ação de todo ser humano e que eu não mais sinta mais orgulho de Ser Humano. Afinal, me importar genuinamente com o outro é apenas ser verdadeiramente humano.

Diego Sant’ Anna

Psicólogo, Coach e Personal Wellness

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